Em foco | Genéricos: um marco para o acesso à saúde

Em foco | Genéricos: um marco para o  acesso à saúde

Seguros, confiáveis e com preços de mercado mais baratos que os medicamentos de referência, os genéricos se consolidaram como alternativa de tratamento para milhares de brasileiros que são afetados por doenças crônicas, especialmente entre aqueles que passam por dificuldades no orçamento familiar, sobretudo agora, com a crise que mundo enfrenta contra o Covid-19.
A presidente executiva da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (PróGenéricos), Telma Salles, explica que os genéricos, por lei, têm preços 35% menores que os medicamentos de referência. Mas os descontos no varejo podem chegar a mais de 60% para o consumidor. “A combinação de preço menor com qualidade e eficácia transformaram os genéricos no principal instrumento de acesso a medicamentos no País, o que se mostra especialmente importante para o tratamento de doenças crônicas, como é o caso do diabetes, da hipertensão arterial e do colesterol, por exemplo.”
As patologias crônicas afetam mais de 57 milhões de brasileiros segundo revela a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) realizada pelo Ministério da Saúde (MS) em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
A farmacêutica responsável pela Farmácia Universitária da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), Maria Aparecida Nicoletti, diz que os genéricos são importantíssimos em relação ao acesso da população a medicamentos. Segundo ela, há uma disponibilização ampla de opções para grande parte das doenças crônicas e, particularmente, as de maior prevalência no País. Portanto, devem fazer parte do arsenal terapêutico destinado à população com a maior abrangência possível em relação às enfermidades presentes.”
Dados da PróGenéricos demonstram que os genéricos chegaram a ampliar em mais de 9000% o consumo de moléculas destinadas ao controle de doenças crônicas.
O caso mais emblemático é o do medicamento Losartana, para o controle da hipertensão. Em 2002, antes de o produto perder sua patente, só havia a versão de referência e cinco versões similares disponíveis nas farmácias brasileiras. O consumo anual da molécula era de 578,4 mil unidades ao ano, e registrava movimentação financeira de R$ 15,6 milhões. A participação de mercado era dividida: 59,02% similares e 40,98% referência.
Com o primeiro genérico do produto chegando ao mercado em 2003, o cenário mudou completamente. Em 2013 o consumo do produto chegou a 57,6 milhões de unidades, volume 9966% superior ao registrado em 2002. Esse é o caso mais relevante de ampliação do acesso registrado no País.
Do ponto de vista financeiro, os genéricos também se apresentam como um bom negócio para a indústria farmacêutica. As vendas da molécula saltaram de R$ 15,6 milhões para R$ 1,2 bilhão, o que representa evolução de 8074%.

Oportunidades e desafios no mercado de genéricos  

Os genéricos ainda têm grande espaço para crescimento no Brasil. “Temos pouco mais de 1/3 do mercado. Em países como EUA e Canadá, este índice ultrapassa a casa dos 80%. Os genéricos são o grande instrumento de acesso a medicamentos no País”, diz Telma.
Para o vice-presidente LATAM do Close-Up, Paulo Paiva, as grandes oportunidades estão em novas combinações, apresentações e na busca do switch da prescrição de um produto de marca para um genérico. “Os desafios estão centrados na manutenção do preço, já que o produto genérico é, por definição, um produto que tem um grande diferencial no preço de comercialização e isso pressiona os preços de genéricos a reduções frequentes.”
“Os genéricos são 35% mais baratos que os medicamentos de referência e 60% mais baratos que os de referência nas farmácias (Fonte: Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos – PróGenéricos). Os próximos anos reservam vencimentos de patentes importantes, de produtos para cardiologia, doenças do sistema nervoso e Parkinson, que em breve terão suas versões genéricas disponibilizadas à população”, revela o diretor da Unidade de Negócios Genéricos da Eurofarma, Donino Scherer Neto.
Já o diretor geral da Germed, Cauê Nascimento, comenta que a tendência de prevenção e tratamento será maior do que o pré-pandemia. Uma das razões é, que, ao longo deste período, as pessoas aumentaram a conscientização sobre a importância em dar continuidade e fazer uso correto de seus remédios, vitaminas e produtos para cuidados com a saúde. “Não foi só o avanço nos genéricos, mas outras categorias do mercado avançaram consideravelmente, e, os genéricos, que abrangem as mais importantes classes terapêuticas, se destacam tanto pela sua capacidade de acessibilidade em preço e volume.”

Explorando o autosserviço

Mais do que realizar uma venda, a farmácia deve orientar os consumidores, prestando um atendimento de ponta e organizando os produtos da melhor forma possível no ponto de venda (PDV). 
No caso dos genéricos isentos de prescrição, a disponibilização dos itens nas gôndolas deve ser alvo de um planejamento prévio, de acordo com o presidente da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), Edison Tamascia, é preciso seguir programas de Gerenciamento por Categorias (GC), de forma segmentada dentro das referidas categorias e tendo o produto em quantidade suficiente para exposição.
Para dispor do melhor mix é preciso levar em conta que o genérico tem muitos fabricantes, e muitas lojas possuem parcerias com a indústrias no que se trata da exposição, lembrando que existem diversos produtos com os mesmos princípios ativos. No que diz respeito à escolha dos clientes, pode-se dizer que esse processo passa pela relação criada no dia a dia, basicamente tem que ter uma análise de demanda, não tem segredo. Lembrando que muitas vezes a própria indústria cria uma campanha e precisa vender.
 

De olho na receita médica 

O farmacêutico poderá fazer a intercambialidade entre medicamento de referência e genérico ou, então, entre medicamento de referência e o similar correspondente, desde que não haja contraposição do profissional prescritor e conforme estabelecido em legislação. Entretanto, segundo revela a farmacêutica responsável pela Farmácia Universitária da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), Maria Aparecida Nicoletti, o usuário de medicamento deverá ter ciência em relação à legislação vigente, ser consultado sobre sua intenção, e se manifestar quanto ao desejo ou não de intercambialidade.
Saliente-se, entretanto, que a intercambialidade poderá ser realizada entre medicamento genérico e referência, ou entre similar e referência, desde que cumpridas às exigências legais. Não poderá ser realizada a intercambialidade entre medicamento genérico e similar.
Na dispensação do medicamento, o farmacêutico poderá informar ao usuário do medicamento a respeito da possibilidade em relação à intercambialidade de medicamentos, ou seja, o medicamento de referência poderá ser intercambiado pelo medicamento genérico, ou o medicamento de referência poderá ser intercambiado pelo medicamento similar (desde que conste na listagem da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa – como medicamento similar). A intercambialidade deverá ser realizada mediante a concordância do usuário. Outro aspecto a ser observado é que, em algumas situações, o prescritor não autoriza a intercambialidade e, nesse caso, o farmacêutico não poderá realizar a intercambialidade de medicamentos, mesmo que o usuário queira.

Quanto a população economiza com genéricos para doenças crônicas?  

Patologia: Hipertensão

• Preço médio genérico: R$ 4,00 
• Preço médio referência: R$ 32,00
• Variação percentual da diferença entre preços: 87%

Patologia: Diabetes
• Preço médio genérico: R$ 3,70
• Preço médio referência: R$ 20,00
• Variação percentual da diferença entre preços: 80%
Fonte: Close-Up